Já viste um Tesla a Diesel?

Ou: porque afinal os carros a Diesel (gasóleo) são os menos poluentes de todos!

Há muito tempo que tenho dito – e muitos outros dizem o mesmo – que as coisas muitas vezes são o total oposto do que parecem, por vezes de forma deliberada… Esta quase-mentira, tantas vezes repetida que diz que os carros elétricos poluem menos… Não passa de uma falácia, uma meia verdade, no máximo! Vais já perceber porquê. E já agora também vais saber o que são os Tesla a Diesel. 🙂

Estudos? Cada um tem o seu!

No entanto, há estudos mais sérios e estudos claramente encomendados. Em seguida falaremos de um estudo realizado por uma universidade ,que comparou os três motores convencionais: gasolina, diesel e eletricidade. Mas antes disso, vamos começar por uma breve introdução.

Quando digo que há estudos para todos os gostos, alguns provavelmente duvidosos, outros que parecem mais certeiros, fica por vezes dificil perceber se determinado estudo está certo. Mas, quando analisamos algo, há algo que ninguém nos pode tirar: o bom senso! Vamos por aí, pode ser? Na maior parte dos países do mundo, qual o combustível utilizado nos veículos de transporte, seja de mercadorias, seja de passageiros? O bom e velho diesel, ou “gasóleo”, claro está! Porquê? Bem, eu que não sou mecânico nem engenheiro, posso dar-vos a explicação simples: porque, litro por litro, o diesel é mais eficiente. Porque é do mais elementar senso comum aceitar que é praticamente impossível – com a tecnologia que temos hoje, ano 2021, utilizar de forma prática um cobustível mais eficiente para a combustão dos motores de veículos. Não existe alternativa. Nem para os camiões, nem para os navios, nem para os autocarros, nem mesmo para os geradores móveis.

De forma simples: se temos de deslocar um veículo a motor com uma determinada carga, o melhor motor a utilizar é o motor a diesel, porque o melhor combustível é o diesel. Litro por litro, ganha. Já alguma vez viram um camião a gasolina? Ou um porta-contentores elétrico? Dizer que os combustíveis deitam mais emissões de CO2 e de NOx para a atmosfera é o mesmo que dizer que uma baleia gasta mais oxigénio que uma foca. Óbvio! Porque, para começar, quase tudo o que é transportado é com diesel. Depois, por circunstâncias próprias da utilização que os veículos a diesel têm, eles circulam muito mais. Mais: como os motores diesel têm mais longevidade, também vão poluir mais ao longo da sua vida útil. Claro!

A comparação correcta entre combustível tem de ter em conta os quilometros percorridos pelo veículo e a carga transportada. Aí, claro que o diesel é menos poluente: em veículos iguais, o disesel gasta sempre pelo menos 1 litro a menos para percorrer a mesma distância. Por vezes as diferenças até são de 2 litros. Quanto à longevidade do carro, deveria ser tido em linha de conta que na maioria dos casos os motores a diesel têm vidas úteis muito maiores. Quantos carros a gasolina já viram com mais de 300.000kms? Já nos diesel, principalmente nos camiões, meio milhão de kms é nada! Naturalmente, nem existe alternativa ao diesel em determinados veículos.

Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia compara: diesel, gasolina e elétricos

Este excerto foi traduzido do Inglês. Se quiser ler o artigo original, clique aqui. Os carros elétricos podem poluir muito mais do que os carros movidos a gasolina ou diesel, de acordo com uma nova pesquisa.

O estudo da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia descobriu que as emissões de gases do efeito estufa aumentaram dramaticamente se o carvão fosse usado para produzir eletricidade.

As fábricas de carros elétricos também emitem mais lixo tóxico do que as fábricas de carros convencionais, disse o relatório publicado no Journal of Industrial Ecology. No entanto, em alguns casos, os carros elétricos ainda fazem sentido, disseram os pesquisadores.

A equipe analisou o impacto do ciclo de vida de veículos convencionais e elétricos. Eles consideraram como a produção, o uso e a desmontagem em fim de vida de um carro afetam o meio ambiente, explicou o coautor Prof Anders Hammer Stromman.

“A fase de produção de veículos elétricos mostrou-se substancialmente mais ambientalmente intensiva”, disse o relatório, comparando com a forma como os carros a gasolina e diesel são feitos.

O potencial de aquecimento global da produção de veículos elétricos é cerca de duas vezes maior do que os veículos convencionais.

Além disso, a produção de baterias e motores elétricos requer uma grande quantidade de minerais tóxicos, como níquel, cobre e alumínio. Conseqüentemente, o impacto da acidificação é muito maior do que a produção de carros convencionais.

“Entre os outros impactos considerados na análise, incluindo o potencial para efeitos relacionados à chuva ácida, partículas transportadas pelo ar, poluição, toxicidade humana, toxicidade do ecossistema e esgotamento de combustível fóssil e recursos minerais, veículos elétricos apresentam desempenho pior ou a par com a combustão interna moderna veículos com motor, apesar de praticamente zero emissões diretas durante a operação “, de acordo com o Prof Stromman.

Como a produção de carros elétricos é tão prejudicial ao meio ambiente, esses carros já poluíram bastante quando chegaram às estradas, diz o relatório. O equivalente a 100.000km de um veículo comum, como disse o Carlos Tavares, (1).

No entanto, se os carros fossem movidos a eletricidade produzida a partir de fontes de eletricidade de baixo carbono, eles poderiam oferecer “o potencial para reduções substanciais nas emissões de gases de efeito estufa e exposição às emissões do escapamento” ao longo do tempo.

No entanto, em regiões onde os combustíveis fósseis são as principais fontes de energia, os carros elétricos não oferecem benefícios e podem até causar mais danos, disse o relatório.

“É contraproducente promover veículos elétricos em regiões onde a eletricidade é produzida principalmente a partir de carvão ou da combustão de óleo pesado.”

O relatório aponta que quanto mais tempo um carro elétrico permanece móvel (na Europa, apenas), maior sua “vantagem” sobre os motores a gasolina e diesel.

“Presumir uma vida útil de 200.000 km do veículo exagera os benefícios dos veículos elétricos para o aquecimento global em 27-29% em relação à gasolina e 17-20% em relação ao diesel”, disse o relatório.

Uma vida útil de 100.000 km [num carro elétrico] diminui o benefício dos veículos elétricos para 9-14% em relação aos veículos a gasolina e resulta em impactos indistinguíveis dos de um veículo a diesel.”

A longevidade de um carro elétrico depende muito de quanto tempo dura sua bateria, até porque é muito caro substituí-la.

As baterias estão gradualmente melhorando, o que pode resultar no uso de carros elétricos por mais tempo.

No entanto, como os motores a gasolina e diesel também estão melhorando, as relações entre os diferentes tipos de veículos não são constantes.

“Uma redução mais significativa no aquecimento global poderia ser alcançada aumentando a eficiência do combustível ou mudando da gasolina para o diesel”, disse o relatório.

“Se você está pensando em comprar um veículo elétrico por seus benefícios ambientais, primeiro verifique sua fonte de eletricidade e, depois, observe atentamente a garantia das baterias”, disse o professor Stromman.

Quem está no poder, por sua vez, deve reconhecer “as muitas vantagens potenciais dos veículos elétricos [que] devem servir de motivação para limpar as misturas regionais de eletricidade”.

Então os carros elétricos não são a grande alternativa?

Para responder a esta questão, começarei por vos contar uma bela história sobre como há duas décadas atrás a Alemanha conseguiu reduzir a poluição na indústria têxtil. Um feito! Para quem não sabe, tingir tecidos é uma indústria muito poluente. E isto não combina nada bem com a imagem de país verde, da Alemanha. Então, as empresas e o Estado alemão encontraram um forma subtil de reduzir os níveis de poluição associados à produção têxtil: as empresas resolveram deslocar as fábricas de tingimento de tecidos para países como a Turquia. O que sucedeu, no final das contas? A poluição diminuiu? Na Alemanha sim. No processo de fabrico no seu todo, não. Porque a “fatura” passa a ser paga pelos turcos. De um momento para o outro, os alemães ficaram mais verdes e os turcos mais poluidores. Entendes como se processa muitas vezes a coisa?

Com os automóveis é quase a mesma coisa. Os elétricos reduzem a poluição nas cidades europeias. Isto é um facto. No entanto, aumentam a poluição e a exploração dos solos e de comunidades e destruição de ecossistemas em países de África e na Ásia. Porque a produção de baterias, a mineração de lítio e de outras matérias primas usadas nos elétricos é uma actividade extremamente poluente. Mas como é feita lá longe, deixa os verdes europeus descansados… Algo semelhante sucede com a produção de energia para os elétricos: em vários países europeus a energia pode ser obtida parcial ou totalmente por vias renováveis. O que não sucede nos outros continentes.

Por tudo isto, para fazer um estudo real do impacto dos veículos elétricos temos de pensar:

  • Qual o impacto social da produção das baterias: exploração dos trabalhadores que são mal pagos e até escravatura de crianças que trabalham nas minas de lítio;
  • Impacto nos ecossistemas nos países produtores: são países com economias mais frágeis, sem capacidade de impôr regras e de as fiscalizar, o que torna a produção destas baterias extremamente nociva e delapida recursos destes países;
  • A poluição directa provocada pela produção dos componentes das baterias deve ser contabilizada, e deveria ser paga pelos fabricantes;
  • A deposição de baterias em fim de vida tem novamente elevados custos ambientais;
  • Os veículos elétricos têm uma vida útil condicionada pela duração das baterias, que é de aproximdadamente 200.000km, pois é muito caro comprar novas baterias, pelo que tem de ser tido em linha de conta a menor vida útil do automóvel no seu todo, por comparação com um diesel, que tem uma vida útil muito maior;
  • A fonte de energia utilizada para alimentar os elétricos: se um elétrico for alimentado por energia proveniente de uma central térmica a carvão, por exemplo, que sentido faz sequer a sua existência?

Assim, o carro elétrico é hoje um luxo próprio de ambientalistas politicamente correctos. Simboliza um ambientalismo hipócrita, antes de mais nada. Dos que promovem o verde que está à vista de todos, sem pensar muito (ou nada) nos prejuízos causados a montante e a juzante, a outras comunidades, a outros países. Porque isto leva-nos à velha questão central da energia:

Qual é a energia mais eficiente? É a energia não gasta!

Quem fala em ambiente, esquecendo esta primeira premissa – a mais fundamental de todas, esqueceu do essencial! Por isso é que, dos 3 Rs, Reduzir, Reaproveitar, Reciclar, o primeiro é o mais importante. Porque muitos não sabem, que estes Rs são uma hierarquia. Então, Reduzir é melhor que Reaproveitar, que por sua vez ainda é melhor que reciclar.

Por isso é que os carros elétricos, como muitas outras coisas “verdes”, caem por uma questão prática: são menos eficientes que as outras alternativas existentes, principalmente quando visam substituir objectos em perfeito estado de uso! O que é melhor: comprar um carro diesel usado, com 200.000kms, ou ir ao stand comprar um elétrico novinho em folha, cheio de luxos, que custa uma fortuna? Claro que comprar o carro usado, que ainda estará bom para as curvas, mesmo depois de já ter feito mais kms que o diesel fez em toda a sua vida útil, fez outro tanto nas suas mãos e, com sorte, ainda faz mais uns 100.000km, se for bem tratado. Meio milhão, contas feitas! Deu para “enterrar” dois elétricos, e foi incomparavelmente mais benéfico para o ambiente que eles. Talvez questiones, hoje não há assim tantos carros a chegar a fazer tantos kms. Será? Basta ir ver os classificados, e ver quantas máquinas com 300.000km, 4000.000km ainda estão para venda. Nem falo nos carros de trabalho! Mas o mundo “verde” é vaidoso. E fica bem na consciência vender o carro antigo em bom estado, para comprar o tal elétrico novo.

Os Tesla a Diesel

Como podes ver na foto, os Teslas estão a ser abastecidos por geradores a diesel.

Tesla a diesel
Teslas abastecidos por gerador a diesel

Mas como não tenho nada contra os veículos norte-americanos, aqui vai um BMW com o seu belo gerador…

BMW i3 abastecido a gerador
BMW i3 abastecido com gerador

Claro que isto é uma provocação! Apenas quis mostrar a ironia de usar geradores a diesel para abastecer carros elétricos! o que torna evidente a inutilidade destes veículos, por enquanto. Muitos dirão que não é por uma tecnologia não estar consolidada a 100% que deixamos de a utilizar. Mas os carros elétricos estão muito longe de serem uma alternativa viável agora, pelo menos nos moldes em que setão a ser produzidos. Seriam viáveis apenas se fossem produzidos;

  • Utilizando outro tipo de baterias, que não sejam poluentes e contaminantes;
  • Ou se não tivessem baterias, de todo, como os comboios elétricos, por exemplo, em que a energia é obtida por cabos, como aliás está a ser testado numa Auto-estrada alemã (2);
  • Ou se for encontrada uma tecnologia híbrida que permita obter desempenho dos motores elétricos a partir dos motores de combustão sem serem precisas baterias.

Até lá, a solução mais certa é mesmo… manter os veículos no mercado por mais anos. Ou seja: contrariar a obsolescência programada que tanto lesa verdadeiramente o planeta.

Notas:

1 – Carlos Tavares, português, era à data o presidente da PSA, agora é o presidente do Grupo Stellantis. O Grupo Stellantis é a fusão entre o Grupo PSA (Peugeot, Citroen e Opel) com o Grupo FCA (Fiat Chrisler Automobiles, que engloba ainda a Alfa Romeo, Lancia, Maserati, e Jeep).

2 – Veja este artigo sobre auto-estrada elétrica, na Alemanha.

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