Tratamentos para prisão de ventre

Recentemente, a minha filha, que ainda não tem três anos, vem sofrendo com este problema. Como não podia deixar de ser, resolvi investigar sobre esta situação. Ficar de braços cruzados sem fazer nada está fora de questão! Apresento-vos o que descobri, nas minhas leituras e na troca de experiências com outros pais e, por fim, na experiência que nós mesmos tivemos. Creio que estas informações podem ser úteis a todos aqueles que padecem desta situação ou que tenham familiares que sofrem com prisão de ventre.

O que é a prisão de ventre ou obstipação?

A obstipação, ou prisão de ventre, caracteriza-se por defecações difíceis e pouco frequentes e, por vezes, pela passagem de fezes duras e secas. Este processo pode ter origem em contracões demasiado lentas do músculo do cólon, com uma resultante lentidão no transito do bolo fecal. Assim, é importante beber muita água, a fim de facilitar a passagem das fezes através do cólon. Frequentemente, as pessoas com prisão de ventre sentem distensão abdominal, têm gases, e sentem algum esforço para obrar.

Não ira à casa de banho todos os dias é prisão de ventre?

Normalmete, não. A frequência das evacuações intestinais pode variar, de pessoa para pessoa: de três vezes por dia até três vezes por semana. Geralmente, menos de três vezes por semana já constitui prisão de ventre. Não é, portanto absolutamente verdadeiro que o intestino deva trabalhar todos os dias. Mais importante é o grau desconforto associado aos movimentos intestinais. Saiba também que a prisão de ventre e a irregularidade são mais comuns em crianças e em idosos.

Causas da prisão de ventre

Muitos são os factores que podem estar associados à prisão de ventre. As causas mais comuns são:

  • Insuficiente ingestão de alimentos ricos em fibras;
  • Beber pouca água;
  • Condição hereditária;
  • Falta de exercício;
  • Determinados medicamentos podem ter como efeito secundários a prisão de ventre;
  • Stress emocional;
  • Elevada ingestão de produtos de origem animal (leite incluído) e produtos processados.

Tratamentos possíveis

Sãovários os tratamentos possíveis. Muitos até constituem uma mudança saudável de hábitos, sendo úteis mesmo para quando já passou o problema. Funcionam a nível de prevenção, se quiser. Apresentarei as várias opções, começando pelas soluções mais simples e imediatas para depois referir as mais radicais, para os casos mais complicados.

Ingestão de fibras

Há dois tipos de fibras alimentares: as solúveis e as insolúveis. As fibras insolúveis, não digeríveis, são muito eficazes na promoção de movimentos intestinais regulares, pois acrescentam volume e massa ás fezes, ajudando também a impelir os resíduos através do intestino e facilitando sua eliminação. Por outro lado, as fibras solúveis ajudam a amolecer as fezes, e ajudam  aumentar o seu teor de água. Os dois tipos de fibras alimentares são, portanto, muito úteis no controlo da prisão de ventre. Frutos secos, como alperces, figos, ameixas ou pêras são benéficos. Cereais de pequeno almoço ricos em fibras (preferir os de baixo teor de açúcar), ou o farelo de trigo, são igualmente boa opção.

Frutas

O kiwi é também muito indicado para o alívio deste problema. A ameixa, tanto seca como fresca ou em sumo é igualmente recomendada. Outras frutas recomendadas são a laranja, o melão e a melancia, o mamão, o côco e o abacate.

Bebidas quentes

Alimentos quentes parecem ter um bom efeito no tratamento da prisão de ventre. Assim, uma boa sugestão para a prisão de ventre é tomar água morna pela manhã, ou infusões mornas ou quentes, sem açucar, ou adoçadas apenas com mel.

Massagem

Este é muito indicado para bebés e crianças. A massagem suave com movimentos circulares na barriguinha costua ser muito eficaz para ajudar a obrar. Não custa nada, não tem contra-indicações e é muito eficaz na maioria dos casos.

Medicação

Quando consumir fibras ou frutas que promovem o bom funcionamento intestinal não funcionam, pode ser necessário ingerir um laxante. As farmácias costumam vender laxantes sem receita médica. Há que recordar o seguinte: a ingestão de laxantes de maneira continuada não é uma boa prática. O laxante pode tornar a função intestinal “preguiçosa”, causando habituação. Como SOS, tudo bem. A partir daí, é melhor mudar os hábitos alimentares, cortar os alimentos que possamcausar prisão de ventre e, se nada disto for suficiente, cosultar um médico.

Enema (clister)

Nos casos mais agudos, pode ser adequado realizar um clister ou enema. O clister introduz água nos intestinos, forçando os movimentos intestinais, dissolve as fezes e obriga à sua expulsão.

Apesar de o clister por si só não ter contra-indicações, na maioria dos casos, não deve ser feito mais que uma vez por semana, pois pode causar alterações na flora intestinal, pode provocar alterações ao trânsito intestinal, o que poderá acabar por piorar a prisão de ventre ou levar ao surgimento de diarreia crónica. Assim, poderá ser também necessário consultar um médico, se não tiver certeza do que fazer.

Consultar um médico

Nas situações mais complicadas, em que a evacuação não ocorre, e se torna um processo doloroso, é melhor consultar um médico ou ir ao hospital. Deverá ir ao hospital, no caso de sentir dor abdominal forte, ou no caso de uma criança ou bebé não conseguir fazer há mais de três dias, ou no caso de um adulto uma semana, ou ainda no caso de um enema não produzir quaisquer resultados.

Este artigo foi originalmente publicado em 2013 em www.tupodes.pt. Foi recuperado e actualizado em 2019.

Partilhar:

Deixe um comentário